Logo no começo da minha carreira – há 10 anos atrás, quando a conexão à internet ainda era precedida pela sinfonia que até hoje encontramos nas ligações telefônicas atendidas por um fac simile – tive um bom intuito ao buscar conhecer as idéias de pessoas como Nicolas Negroponte, cientista catalogado como o paladino da era digital.
O livro Vida Digital, escrito em 1995 por Nicolas, é composto por dezenas de previsões sobre o futuro da tecnologia e as implicações dela em nossas vidas. Além de ser uma obra tida como visionária, é uma referência para os estudiosos dos impactos da tecnologia no cotidiano.
Tá certo que nem tudo que foi profetizado se concretizou ainda! Mas é possível perceber que estamos a caminho do mundo visionário de Negroponte. Hoje (20/04), uma matéria na TV paga mostrou os alunos de um colégio público recebendo o laptop de U$ 100 do projeto capitaneado por Negroponte, conhecido como “One Laptop Per Child“, no Brasil denominado UCA – Um Computador por Aluno .
As orelhinhas wirelles do aparelho me remeteu a uma parte do discurso do livro de Nicolas. É a parte que fala do fluxo dos bytes em todas as direções. Os laptops com os quais as crianças se deliciavam estavam conectadas à uma rede wireless que funciona em malha, ou seja: um computador, utilizando-se da capacidade de dissipar bytes em todas as direções, repassa a informação para o mais próximo, que assim o faz com o outro computador próximo, sucessivamente criando um ambiente sustentado de transmissão de dados, técnica conhecida como redes mesh. Um excelente exemplo do uso da tecnologia para barateamento dos custos das transmissões digitais de dados!
A entrega dos equipamentos portáteis foi além de mera cerimônia política ou promocional do chamado movimento de “inclusão digital”. O fato é o exemplo de que é possível utilizar da ciência e da tecnologia em favor de parte da sociedade que , por um motivo ou outro na historia, esteve privada do acesso à informação.
Não tem como ignorar, ainda mais depois de ver a agilidade com a qual as crianças manuseavam os equipamentos, o avanço social que tratá o projeto, impulsionando uma classe – que muitos definem como “excluídos” digitais – ao infinito estoque de conhecimento espalhado pelos milhões de computadores conectados 24 horas em rede.
O OLPC é o catalisador das possíveis reações sociais defendidas por um cientista da “era da informação” que acredita nas revoluções que os computadores conectados em rede podem fazer na humanidade.
Torço para Brasil ser um exemplo bem sucedido no projeto mundial dessa minha referência científica!

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